Antes de mais, quero dar os parabéns aos três candidatos. Nos dias de hoje, não é de ânimo leve que alguém se sujeita à avaliação e ao escrutínio público.
Neste post, faço uma breve análise ao debate entre os três candidatos. Faço-o simplesmente porque sim, porque posso e porque gosto. Infelizmente, não posso votar na freguesia — o que, ainda assim, não diminui em nada o meu interesse por ela, que é e sempre será a minha casa.
Partindo desta premissa, o candidato do Chega, José Albuquerque, promete lutar “sem medo das consequências” junto das entidades competentes. Demonstrou conhecer bem a freguesia e os seus problemas, sendo provavelmente o candidato da oposição mais bem preparado das últimas duas ou três eleições. O seu discurso, correto e não demagógico, distancia-se bastante daquele a que o partido nos habituou. É pena que pessoas como José Albuquerque não tenham tido espaço nos partidos ditos tradicionais para dar o seu contributo, acabando por abraçar forças políticas demagógicas que apenas lhes oferecem uma falsa sensação de representatividade.
Já o candidato do PS, João Fonseca, é o reflexo mais evidente da forma como o PS Tomar olha para a nossa freguesia. Explico: só se lembra dela de quatro em quatro anos, e nem é pela força eleitoral — que é pequena — mas sim por uma questão de marketing político. Ficaria mal ao partido que atualmente governa a câmara não apresentar candidatos em todas as freguesias. Assim, a dois ou três meses das eleições, lembram-se de arranjar um nome. Os mais conscientes do verdadeiro interesse desse convite recusam; sobra sempre alguém menos avisado que aceita o papel. No caso atual, o PS bateu no fundo — não pelas qualidades pessoais do candidato, a quem peço desde já que não encare esta crítica como algo pessoal, mas porque ficou evidente no debate o seu conhecimento muito limitado da freguesia, dos seus problemas e das suas gentes. Depois, no dia das eleições, o PS voltará a queixar-se de que, em Olalhas, “votam sempre nos mesmos” (leia-se PSD), mas a verdade é que nada faz — nem quer fazer — para alterar esse cenário.
O candidato da AD e atual presidente, Rui Lopes, aproveitou o debate para enumerar algumas das iniciativas já desenvolvidas pelo executivo e para denunciar a falta de “vontade política” da câmara em concretizar projetos previstos para a freguesia.
Na minha opinião, Rui Lopes é, de longe, o candidato mais bem preparado para o cargo. A sua experiência, tanto no meio autárquico como na gestão de várias instituições, dá-lhe uma vantagem clara. Exatamente por isso, considero que a sua equipa, caso seja reeleita, deve demonstrar muito mais ambição para o futuro da freguesia.
Para terminar, desejo boa sorte a todos os candidatos e espero que, em conjunto, consigam contribuir para o debate de ideias de que a nossa freguesia tanto precisa. Se houve algo que o debate deixou claro, foi a falta de propostas concretas para dinamizar Olalhas, mesmo tendo em conta as muitas limitações com que qualquer executivo terá de lidar.
Tiago Henriques
*Texto revisto pela IA





